A Caderneta A está, sem dúvida, a perder popularidade. Muitos aforradores estão a desviar o dinheiro para alternativas que consideram mais atractivas.
Os números começam a ser expressivos. Segundo os dados divulgados pela Caixa de Depósitos (CDC) na segunda-feira, 24 de novembro, a Caderneta A registou uma nova descaptação de 3,81 mil milhões de euros, depois de -2 mil milhões no mês anterior.
Para quem não está familiarizado com o termo, descaptação significa que, no balanço do mês, os levantamentos superaram os depósitos. Ou seja, este produto perdeu apelo desde o regresso ao período pós-férias. De acordo com a BFM, trata-se mesmo da maior descaptação desde 2009.
Apesar disso, uma descaptação em outubro não é, por si só, surpreendente: com 58 milhões de titulares, é frequentemente um mês “apertado” para muitas famílias, que acabam por recorrer às poupanças para fazer face às despesas. Ainda assim, a dimensão da queda poderá estar ligada à redução da taxa para 1,7%, decidida pelo Governo em agosto.
Famílias continuam a poupar: seguros de vida ganham terreno
A perda de fôlego da Caderneta A não significa que os agregados deixem de poupar. Pelo contrário, como refere a BFM, muitas famílias continuam a colocar dinheiro de lado, privilegiando soluções como os seguros de vida, que têm tido boa procura nesta recta final do ano. Para 2025, é apontada uma remuneração de 2,6% nos fundos em euros.
A Caderneta de Poupança Popular (LEP) resiste com taxa de juro de 2,7%
Há ainda um elemento importante neste cenário: a Caderneta de Poupança Popular (LEP), um produto reservado aos agregados com rendimentos mais baixos, conseguiu contrariar o ambiente menos favorável graças a uma taxa de juro de 2,7%. Mesmo num mês tradicionalmente difícil, apresentou uma captação positiva de 20 milhões de euros.
Caderneta A e LEP: vem aí uma nova descida das taxas de juro?
E isto pode não ajudar. A taxa da Caderneta A poderá descer para 1,4% (ou 1,5%) no início do próximo ano, o que representaria uma nova redução de 0,30 pontos. No caso da LEP, prevê-se igualmente um corte de 0,30, fazendo a taxa recuar para 2,40%.
Naturalmente, estes valores ainda podem mudar se houver alterações até lá. Além disso, trata-se de uma indicação: nada impede o Governo de optar por um “ajuste” que limite de forma significativa a descida das taxas. Em última análise, a decisão é sobretudo política e não um automatismo total.
Como ajustar a estratégia de poupança quando as taxas caem
Quando a remuneração dos produtos de poupança desce, faz sentido rever objectivos e prazos. Uma abordagem prática é separar uma reserva de emergência (onde a liquidez e a segurança pesam mais) das poupanças destinadas a metas de médio e longo prazo, onde pode haver abertura para soluções com condições diferentes.
Também é útil comparar não só a taxa anunciada, mas o que isso significa no dia-a-dia: impacto da inflação no poder de compra, eventuais custos, regras de mobilização e a previsibilidade do rendimento. Em momentos de taxas mais baixas, estas diferenças tendem a pesar mais na decisão.
E do seu lado: alterou os seus hábitos de poupança após a evolução desfavorável das taxas de juro das cadernetas? Conte-nos nos comentários.
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