É uma péssima ideia.
Kevin O’Leary é um empresário e investidor canadiano muito conhecido, popularizado pelo epíteto “Mr. Wonderful” no programa Shark Tank. E, se há algo que o irrita particularmente numa entrevista de emprego, é ver um candidato jovem aparecer acompanhado por um dos pais.
Em declarações recentes à Fox Business, O’Leary explicou que, numa situação dessas, a primeira coisa que perguntaria ao candidato seria: “Prefere que eu contrate a sua mãe ou você? O que é que ela está aqui a fazer? Porque eu não a vou integrar na empresa.”
Segundo o investidor, embora pareça insólito, isto já não é um caso isolado - é, na sua leitura, um comportamento que se tem tornado frequente nas gerações mais novas. E conta que, quando se deparou com esse cenário, foi directo: “Eu disse simplesmente: ‘Assim não dá. A sua mãe não vai participar nesta conversa, por isso vamos ter de a afastar; caso contrário, a sua candidatura não será considerada.’”
A Fortune acrescenta ainda um dado que ajuda a explicar por que motivo o tema ganhou dimensão: de acordo com um estudo de 2025 da Resume Templates, 77% dos jovens da geração Z inquiridos admitiram ter levado um dos pais a uma entrevista de emprego. Em alguns casos, os pais chegaram mesmo a ser solicitados para negociar aumentos salariais e até para realizar testes em nome do candidato.
Este tipo de “intrusão” familiar não surge por acaso. Com a ansiedade económica e a concorrência intensa pelas vagas de entrada no mercado, as entrevistas deixaram de ser vistas como um simples passo do processo e passaram a ser encaradas por muitas famílias como um momento decisivo - quase um rito de passagem - que, na percepção delas, pode condicionar todo o futuro profissional do filho ou da filha.
Há também um factor cultural a ter em conta: muitos jovens cresceram com uma presença parental mais constante na gestão de decisões escolares e pessoais. Ao transitar para o mundo do trabalho, essa dinâmica pode prolongar-se, mesmo quando a expectativa das empresas é a de autonomia, responsabilidade e capacidade de comunicação directa.
Para os candidatos, a regra prática é simples: apoio em casa é valioso, mas a entrevista é um espaço de avaliação individual. Se precisar de preparação, ensaiar respostas, rever o CV e simular perguntas com alguém de confiança pode ajudar - sem transformar o encontro com o recrutador numa reunião familiar.
Kevin O’Leary, Shark Tank e o alerta sobre pais em entrevista de emprego
A mensagem de Kevin O’Leary (“Mr. Wonderful”) encaixa numa ideia central: numa entrevista de emprego, a empresa está a avaliar maturidade, independência e capacidade de se representar. Levar um dos pais pode transmitir o sinal oposto e, como o próprio diz, pode levar ao afastamento imediato da candidatura.
Cuidado com os atrasos
Convém lembrar outra falha - muitas vezes não intencional - que pode prejudicar um candidato: chegar atrasado. Num inquérito feito a recrutadores em 2024, 35,8% dos participantes indicaram que a principal crítica que fariam a um candidato seria apresentar-se atrasado para uma entrevista.
Jeff Hyman, recrutador de executivos há 27 anos, citado pela CNBC, defende que um atraso aparentemente pequeno já pode pesar: cinco minutos podem ser suficientes para influenciar a decisão. Como alerta o especialista, “chegar atrasado é um enorme entrave, porque sinaliza falta de educação, um ego grande, ou incompetência e má planificação.”
Ainda assim, Hyman deixa um conselho útil para quando o imprevisto acontece: “Acontece, e a maioria das pessoas compreende se tiver uma boa razão para o atraso - seja um pneu furado enquanto conduzia, seja uma falha inesperada na ligação à Internet. Ignorar por completo o elefante na sala é muito menos produtivo.” Mais detalhes sobre este ponto foram abordados num artigo anterior.
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