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Irão: os EUA querem obter 450 kg de urânio enriquecido, suficiente para fabricar 11 bombas nucleares em poucas semanas.

Mãos cruzadas sobre mapa no escritório com bandeiras dos EUA e Irão numa mesa de madeira.

Uma possibilidade que, para alguns decisores, poderia servir de justificação para uma operação com tropas no terreno.

Dados recentes indicam que o Irão possui cerca de 450 quilogramas de urânio enriquecido a 60%. Para Estados Unidos e Israel, este volume é encarado como uma ameaça grave, uma vez que seriam necessárias apenas algumas semanas para elevar esse grau de enriquecimento para um patamar com utilidade militar. Em termos práticos, se todo o stock atingisse 90% de pureza, existiria material suficiente para produzir 11 bombas nucleares.

Perante este cenário, fontes bem posicionadas citadas pelo meio norte-americano Axios referem que os dois aliados ponderam enviar forças especiais ao Irão com o objectivo de proteger e assegurar o stock de urânio. A intervenção poderia ser coordenada entre ambos, ou avançar apenas por um dos países.

Nos EUA, a mera ideia de uma incursão terrestre continua a ser altamente sensível e impopular, com uma opinião pública descrita como firmemente contrária. Ainda assim, do ponto de vista operacional, responsáveis consideram que uma presença no terreno seria essencial para avançar em instalações subterrâneas altamente fortificadas e de difícil acesso.

Antes de qualquer decisão, um ponto central seria a avaliação de risco: uma acção deste tipo exigiria convicção de que as forças iranianas já não representam uma ameaça relevante para quem entrasse no país. Sem essa garantia, o custo humano e político de uma operação poderia aumentar rapidamente.

Também se coloca a questão da verificação e do controlo: mesmo com informação de inteligência, garantir a localização exacta do material, as rotas internas de transporte e eventuais redundâncias exige planeamento ao pormenor. Além disso, uma operação de segurança do stock teria de prever medidas para evitar dispersão, ocultação ou destruição do material durante a intervenção.

Donald Trump não afasta uma intervenção no terreno no Irão e sobre o urânio enriquecido

Se esta hipótese viesse a concretizar-se, não seria, contudo, algo imediato. De acordo com as mesmas informações, a decisão dependeria de os dois países considerarem que o contexto militar no Irão ficou suficientemente degradado para permitir uma entrada com risco controlado.

Segundo os nossos colegas, que citam um responsável norte-americano, o governo analisou duas alternativas: retirar completamente o material do Irão ou recorrer a especialistas nucleares para o diluir no local.

Questionado sobre o tema no sábado, 7 de março, a bordo do Air Force One, Donald Trump afirmou que uma intervenção terrestre pode ser considerada, mas apenas “por uma razão excelente”. Acrescentou ainda: “Se alguma vez o fizéssemos, os iranianos ficariam tão dizimados que já não conseguiriam combater no terreno”.

A mensagem foi reforçada pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, que salientou que o presidente “mantém prudentemente todas as opções em aberto e não exclui nada”.

Numa tentativa aparente de desdramatizar as revelações, uma fonte do Axios sublinhou que, em qualquer cenário, estaria em causa “ataques de forças especiais, e não um destacamento em massa. Pensa-se em Faluja (referência a uma batalha mortífera e armadilhada para o exército norte-americano durante a guerra do Iraque - nota do editor). Não foi disso que se falou”.

Um passo deste tipo teria, inevitavelmente, repercussões diplomáticas: desde reacções regionais e possíveis respostas assimétricas até impactos em negociações e mecanismos internacionais de supervisão nuclear. Mesmo uma operação limitada poderia desencadear uma escalada, tornando crucial definir objectivos, linhas vermelhas e um plano claro para a fase posterior à acção.

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