A poluição ambiental está associada a vários distúrbios de saúde mental na Europa, alertou esta terça‑feira a Agência Europeia do Ambiente (EEA), defendendo que uma aplicação mais rigorosa da legislação faria com que os europeus se sentissem menos deprimidos e menos ansiosos.
Segundo a agência da UE, a responsabilidade recai sobretudo sobre três frentes: poluição do ar, poluição sonora e poluição química.
Poluição do ar (PM2.5 e NO2) e distúrbios de saúde mental na Europa
A EEA sublinha que a evidência científica é consistente: a poluição do ar, por exemplo sob a forma de partículas finas (PM2.5) e de dióxido de azoto (NO2), está relacionada com depressão e com sintomas depressivos, de acordo com o que é referido num relatório.
Poluição química: chumbo, desreguladores endócrinos e risco ao longo da vida
O relatório acrescenta que a exposição ao chumbo, a desreguladores endócrinos e a outras substâncias químicas, sobretudo durante fases de desenvolvimento da vida, pode elevar o risco de surgirem problemas de saúde mental mais tarde.
Poluição sonora do tráfego e aumento do risco de ansiedade e depressão
Além disso, a poluição sonora proveniente do tráfego aéreo e rodoviário pode estar associada a um risco acrescido de depressão e ansiedade, em especial entre pessoas mais vulneráveis.
Metas de poluição zero e benefícios para a saúde mental e o bem‑estar
A EEA defende que o avanço rumo às metas de poluição zero pode trazer benefícios adicionais para a saúde mental e para o bem‑estar, ao mesmo tempo que reduz exposições nocivas.
Soluções baseadas na natureza e melhoria do bem‑estar
A agência refere ainda que as soluções baseadas na natureza têm benefícios comprovados cientificamente para pessoas com perturbações mentais, ao ajudarem a reduzir stress, ansiedade e depressão, e ao melhorarem o bem‑estar geral através do contacto com a natureza.
Para além das intervenções a nível individual, o enquadramento de políticas públicas é determinante: medidas como reduzir emissões no transporte, reforçar zonas de baixas emissões, limitar o ruído em áreas residenciais e proteger populações sensíveis (incluindo crianças e idosos) podem funcionar como uma componente preventiva relevante para a saúde mental.
Também a qualidade do planeamento urbano - com mais espaços verdes acessíveis, percursos pedonais seguros e uma gestão do tráfego orientada para diminuir ruído e poluentes - tende a favorecer rotinas mais saudáveis e a reduzir fatores ambientais que contribuem para sintomas de ansiedade e depressão.
Peso dos distúrbios de saúde mental na União Europeia
De acordo com a EEA, os distúrbios de saúde mental representaram a sexta maior “carga” de doença na União Europeia em 2023 e constituíram a oitava principal causa de morte.
© Agence France-Presse
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