Uma nova alternativa de investimento está a ser colocada à disposição dos cidadãos franceses.
Em março passado, Éric Lombard - então ministro da Economia - anunciou oficialmente a criação, pela banca pública de investimento Bpifrance, de um fundo no valor de 450 milhões de euros. A ideia é permitir que as francesas e os franceses participem voluntariamente no financiamento de empresas ligadas à defesa. Pouco mais de seis meses depois, essa intenção passa do anúncio à prática. Eis o essencial para perceber como funciona.
Fundo Bpifrance Défense: objetivo, enquadramento e lógica de soberania
Na prática, o Estado, através da Bpifrance, lança um fundo especificamente orientado para a defesa nacional. Esta iniciativa procura responder às necessidades de capital de um sector que, nos próximos anos, terá de acelerar a sua capacidade industrial e tecnológica.
Segundo um estudo do Bpifrance Lab, citado pelo site especializado Selectra, serão necessários cerca de 15 mil milhões de euros até 2030 para acompanhar o reforço da base industrial e tecnológica de defesa (BITD).
Risco real e potencial de oportunidade
Este investimento aponta para uma rendibilidade que pode ir até 5% ao ano. Ainda assim, não existe garantia: trata-se de um produto com risco, incluindo a possibilidade de perda de capital.
Ao contrário de produtos de poupança mais tradicionais - em que o dinheiro pode ser levantado a qualquer momento - aqui o horizonte é de longo prazo, e isso deve pesar na decisão de quem investe.
Montantes, diversificação e sectores financiados
O acesso é possível a partir de 500 €, com um limite máximo de 500 000 € aplicados.
O fundo dá exposição a um portefólio com mais de 500 empresas, maioritariamente não cotadas, segundo Selectra. Entre as áreas mais representadas encontram-se a cibersegurança, as tecnologias de defesa e a manutenção aeronáutica.
Prazos de bloqueio e regras de resgate
Um ponto-chave é a liquidez: o capital fica bloqueado durante cinco anos.
Depois desse período, a partir do sexto ano, o investimento pode ser resgatado parcialmente com uma periodicidade trimestral, segundo a mesma fonte.
Como subscrever: contas e plataformas disponíveis
O fundo pode ser acedido através de conta-títulos, PEA, PEA-PME, seguro de vida e também de um plano de poupança-reforma. Além disso, existe igualmente uma plataforma dedicada onde o produto está disponível.
Para leitores em Portugal, convém notar que estes “invólucros” (como o PEA/PEA-PME) são instrumentos típicos do mercado francês; por isso, o acesso e as condições práticas dependem do intermediário e do enquadramento do investidor.
Pontos adicionais a considerar antes de investir (liquidez, perfil e coerência da carteira)
Sendo um investimento com prazo alargado e risco de capital, faz sentido avaliar se o montante a aplicar não é dinheiro que possa vir a ser necessário no curto prazo (por exemplo, para uma emergência). Também é prudente verificar como esta exposição encaixa numa carteira mais diversificada - nomeadamente, evitando concentrar demasiado património num único tema ou sector.
Outro aspecto relevante é a adequação ao perfil de risco: como o fundo investe sobretudo em empresas não cotadas, o comportamento do valor pode ser menos previsível e a saída antecipada pode não ser tão simples como num produto com liquidez diária.
Declaração de Nicolas Dufourcq (Bpifrance)
Nicolas Dufourcq, director-geral da Bpifrance, afirmou:
Hoje, com o lançamento do fundo Bpifrance Défense, damos início a uma segunda revolução: a de um produto radicalmente novo, na intersecção entre o investimento cidadão e os desafios da soberania. Este fundo assinala uma etapa decisiva na democratização do investimento em empresas não cotadas, ao permitir que francesas e franceses invistam no nosso tecido de startups, PME e ETI, envolvidas nos sectores estratégicos da defesa e da soberania. A Bpifrance confirma assim o seu papel pioneiro em soluções de investimento acessíveis a particulares, oferecendo-lhes a possibilidade de dar sentido às suas poupanças, ao mesmo tempo que contribuem para as grandes transformações económicas de amanhã.
Para aprofundar este projecto, pode consultar a página dedicada.
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