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Xavier Niel compra o Château de Louveciennes por quase 40 milhões de euros

Homem de fato de pé junto a uma mesa com plantas arquitetónicas ao ar livre em frente a um palácio histórico.

Xavier Niel, o mediático fundador e patrão da Free, acaba de somar mais uma peça de peso ao seu património: adquiriu o Château de Louveciennes, nos Yvelines, um imóvel intimamente ligado à história de França e avaliado em dezenas de milhões.

A compra, avançada pela Bloomberg, ronda os 40 milhões de euros e confirma o interesse do empresário por edifícios com forte valor patrimonial - mesmo quando não se trata de propriedades pensadas para uso quotidiano.

Um negócio fechado por 38,7 milhões, abaixo da avaliação inicial

A transacção terá ficado nos 38,7 milhões de euros. O valor chama a atenção porque a propriedade estava no mercado desde 2019 e, numa fase inicial, terá sido colocada à venda por cerca de 44 milhões de euros.

Este não é, de resto, o primeiro investimento de Xavier Niel em imóveis históricos. Em 2022, comprou o Hôtel Lambert, um palacete na Ilha de Saint-Louis, em Paris, por cerca de 200 milhões de euros. Antes disso, já tinha adquirido o Hôtel Coulanges, na Place des Vosges.

Château de Louveciennes: o investimento histórico de Xavier Niel e um emblema do poder real

O Château de Louveciennes inclui um grande parque, o edifício principal e um Pavilhão da Música. A propriedade é hoje particularmente associada a Madame du Barry, o que ajuda a explicar a notoriedade do local - embora a sua ligação à monarquia francesa vá bem além dessa figura.

Construção no século XVII e a ligação à máquina de Marly

Erguido no final do século XVII por Robert de Cotte (então ainda no início da carreira), o edifício começou por servir como residência de função de Arnold de Ville. De Ville era o responsável pela célebre máquina de Marly, instalada nas proximidades: um gigantesco sistema concebido para levar água ao Château de Versailles.

A proeza era notável para a época, porque a água era captada no Sena, numa zona mais baixa, e tinha de ser elevada até ao nível dos jardins e fontes. O conjunto tornou-se um símbolo da capacidade de Luís XIV em dominar a natureza e projectar poder através da engenharia.

Madame du Barry, Luís XV e o destino do château

Apesar das origens técnicas e administrativas, o château ficaria sobretudo conhecido por ter pertencido a Madame du Barry, favorita de Luís XV. Em 1769, o rei ofereceu-lhe a residência; após obras e reorganização dos espaços, o local passou a funcionar como cenário de recepções e refúgio para um monarca já no final do reinado.

Madame du Barry viveu ali até à sua morte, em 1793. Mais tarde, já no século XX, o imóvel entrou em declínio e chegou a ficar ao abandono, acabando por ser reabilitado em período posterior. Actualmente, não está aberto ao público de forma regular, embora existam visitas privadas organizadas em determinadas condições.

O que Xavier Niel poderá fazer com o domínio?

Até ao momento, não são conhecidas as intenções de Xavier Niel para o domínio de Louveciennes - se pretende aí viver, investir em novas intervenções, manter o espaço reservado ou transformá-lo num local com algum tipo de acesso público. Seja qual for o plano, trata-se de uma aquisição de prestígio que volta a evidenciar a inclinação do empresário por lugares com peso histórico.

Preservar um monumento histórico: custos, regras e impacto local

Ser proprietário de um monumento histórico implica, muitas vezes, obrigações específicas: intervenções condicionadas por normas de conservação, necessidade de autorizações para obras e uma manutenção exigente, sobretudo quando existem jardins, estruturas anexas e elementos arquitectónicos protegidos. Em contrapartida, estes projectos podem contribuir para preservar património que, sem investimento privado, correria o risco de se degradar.

Além disso, propriedades como o Château de Louveciennes tendem a ter impacto na economia local, mesmo quando não funcionam como museu: equipas de restauro, jardinagem, segurança e gestão cultural geram actividade, e a eventual abertura - ainda que limitada a eventos ou visitas privadas - pode reforçar a visibilidade de Louveciennes como destino ligado ao património.

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