Segundo Paulo Mariano, vice-presidente da comunidade portuária da Figueira da Foz, o rebocador foi contratado na noite de segunda-feira pelo armador neerlandês, proprietário do navio, e pelo grupo Altri, detentor da carga de 3 300 toneladas de pasta de papel que segue a bordo.
Em comunicado, a Autoridade Marítima Nacional (AMN) indicou que o rebocador deverá chegar junto do Eikborg pelas 23h00, уточando que o navio de carga se encontra a 22 milhas náuticas (cerca de 40 quilómetros) da costa portuguesa, acompanhado pelo navio patrulha oceânico Figueira da Foz.
De acordo com Paulo Mariano, “o armador e o expedidor conseguiram alcançar um acordo bem-sucedido” após negociações com um rebocador de alto-mar com bandeira da Noruega, que “à partida” deverá chegar ao local pelas 02h00 de quarta-feira (28 de janeiro).
O responsável sublinhou que o serviço de reboque será “extremamente complicado”, devido ao estado do mar, e terá um custo na ordem dos 350 000 euros por dia, encargo que será suportado pelo armador - o grupo Royal Wagenborg, uma das maiores empresas europeias de transporte marítimo - e pelo proprietário da mercadoria, o grupo Altri.
“Neste momento, já estão a pagar; o navio já está pronto, embora ainda não tenha chegado”, afirmou.
Paulo Mariano acrescentou ainda que a operação a cargo do rebocador oceânico norueguês, uma embarcação com 90 metros de comprimento - mais um metro do que o navio de carga - “vai durar vários dias” e classificou como “incrível” que “todos” os portos nacionais, “com condições para receber este navio sob reboque”, tenham recusado a entrada da embarcação.
Por isso, explicou, o navio terá de ser rebocado para um porto em Espanha. “E o navio vai ter de ser rebocado para um porto em Espanha, que presumo - ainda não tenho a certeza, também tem a ver com as condições de mar - que será na baía de Vigo (na Galiza)”, revelou.
Num comunicado à imprensa, a Marinha e a AMN referiram que “continuam a acompanhar e a prestar apoio ao navio de carga que sofreu uma avaria no leme” na segunda-feira, quando saía do porto da Figueira da Foz, mantendo esse acompanhamento com um navio patrulha oceânico até ao início das manobras de reboque.
A bordo do Eikborg seguem seis tripulantes, todos estrangeiros (o capitão é neerlandês e há ainda dois indonésios, um letão, um russo e um filipino). O navio transporta 3 300 toneladas de pasta de papel - carga com origem na Celbi Celulose, empresa do grupo Altri - que tinha como destino um porto alemão.
A complexidade deste tipo de operações em mar aberto não depende apenas do número de embarcações envolvidas, mas também da janela meteorológica disponível, da capacidade de manter o navio em segurança durante a aproximação do rebocador e da necessidade de coordenar, ao minuto, as forças de tracção e o controlo do rumo. Em situações de falha de leme, o risco de deriva aumenta, tornando o acompanhamento por unidades de patrulha um elemento essencial para garantir vigilância e resposta rápida.
Além disso, a escolha do porto de refúgio - neste caso, apontando-se a baía de Vigo - tende a resultar de uma combinação entre abrigo natural, acessibilidades e condições para receber um navio sob reboque em segurança. Mesmo quando existem infraestruturas capazes, factores como a agitação marítima prevista e limitações operacionais locais podem pesar na decisão final e prolongar a duração da operação.
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