Uma medida de simples bom senso que podia ser adoptada a nível nacional.
A pequena comuna de Nordhouse, com cerca de 1 800 habitantes, raramente entra no radar dos meios de comunicação. Ainda assim, uma decisão tomada a 13 de Janeiro está a chamar a atenção por ser tão prática quanto fácil de replicar: através de um decreto municipal, a autarquia passou a disponibilizar um autocolante anti-angariação (anti-venda porta-a-porta), segundo noticiou a France 3 da região Grande Este.
Na prática, para que serve este pequeno autocolante? A ideia é desencorajar vendedores e angariadores antes mesmo de tocarem à campainha - de forma semelhante aos autocolantes “sem publicidade” nas caixas de correio, que reduzem a distribuição de folhetos e anúncios não solicitados.
A medida ganha ainda mais relevância porque a população local inclui muitas pessoas idosas, frequentemente mais expostas a abordagens insistentes, propostas pouco claras e, nalguns casos, tentativas de burla por parte de comerciais que aparecem à porta e acabam por perturbar a tranquilidade do dia-a-dia.
Nordhouse e o autocolante anti-angariação: o cansaço dos habitantes levou a câmara a agir
O descontentamento vinha a acumular-se há bastante tempo. Uma moradora, que colou o autocolante directamente na campainha, explicou que as abordagens são constantes e repetitivas:
“Somos abordados durante todo o ano - pelo menos uma vez por semana - por pessoas que querem vender painéis fotovoltaicos, telefones ou serviços para tratar do jardim e, sinceramente, é desgastante. Às vezes aparecem depois das 18 horas, quando só queremos descansar. Coloquei-o mesmo na campainha, é impossível não ver. Vamos lá perceber se resulta.”
Também o presidente da câmara, Jean‑Marie Rohmer, recordou situações concretas que ajudaram a justificar a intervenção municipal, destacando a vulnerabilidade dos mais velhos e a pressão exercida por alguns visitantes:
“Ainda recentemente vimos, por exemplo, uma pessoa assinar um orçamento de mais de 5 000 euros para obras que, no máximo, deviam rondar 1 200 euros. Normalmente estas pessoas têm entre 65 e 85 anos, e os burlões sabem muito bem a quem se dirigir. Voltam várias vezes, insistem e pressionam. É inaceitável.”
A expectativa é que este tipo de incómodo - que pode transformar-se num risco real para a população - passe a ser menos frequente com a nova regra. O responsável do serviço da polícia municipal mantém-se atento e sublinha que um angariador pode incorrer em um ano de prisão e 150 000 euros de multa caso um residente chame as autoridades por causa de angariação não autorizada. Nessa situação, o suspeito poderá ser notificado para prestar declarações e o caso seguirá para o tribunal de polícia ou tribunal judicial, podendo resultar em coima e eventual condenação.
Como reforçar a protecção contra a venda porta-a-porta (e reduzir o risco de burlas)
Para além do autocolante, há medidas simples que ajudam a diminuir a probabilidade de problemas, sobretudo quando se vive sozinho ou se trata de uma pessoa mais vulnerável: pedir sempre identificação, recusar decisões “na hora”, evitar assinar documentos sem ler e confirmar, e nunca partilhar dados pessoais (incluindo detalhes bancários) à porta de casa. Quando a abordagem é insistente, a melhor resposta costuma ser curta e firme: “não estou interessado” e terminar a conversa.
Também pode ser útil combinar esta iniciativa com acções de sensibilização local - por exemplo, avisos da autarquia, informação em juntas de freguesia (ou equivalentes) e apoio das forças de segurança - para que os residentes reconheçam sinais típicos de fraude: urgência artificial, promessas “boas demais”, descontos condicionados ao “agora ou nunca” e pedidos para entrar em casa sem motivo claro.
Resta a pergunta: que opinião tem sobre esta iniciativa local, que parece estar a ser muito bem recebida? Faria sentido replicá-la a nível nacional para travar com mais eficácia as burlas associadas à venda porta-a-porta? Partilhe a sua perspectiva nos comentários.
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