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«É uma armadilha quase invisível»: estas 6 despesas mensais obrigatórias destroem o seu poder de compra.

Jovem a escrever numa agenda com cadernos, notas adesivas e vegetais numa cozinha luminosa.

As despesas obrigatórias - aquelas contas inevitáveis que têm de ser pagas mês após mês - estão a consumir uma fatia cada vez maior do orçamento das famílias.

Uma análise recente do comparador online lesfurets.com indica que, em janeiro de 2026, o valor médio gasto com despesas obrigatórias atinge 1 186 € por mês, o equivalente a 34% do rendimento líquido mensal médio.

Face ao inquérito anterior, realizado em março de 2025, este orçamento aumenta 35 €. O estudo volta a pôr sob a lupa os encargos fixos que mais pressionam o poder de compra e que, para muitos agregados, deixam pouca margem para poupança ou imprevistos.

Despesas obrigatórias: os encargos que mais subiram em 2026

Em média, são identificadas 11 despesas obrigatórias a liquidar todos os meses, com seis rubricas a destacarem-se pela subida mais visível:

  • Seguro automóvel: de 91 € para 97 € por mês (+6%)
  • Seguro de saúde: de 109 € para 113 € por mês (+3%)
  • Seguro multirriscos habitação: de 66 € para 74 € por mês (+12%)
  • Custos totais com habitação (renda, crédito habitação, seguro habitação, energia): de 673 € para 681 € por mês
  • Encargos com aquecimento da habitação: de 106 € para 118 € por mês
  • Crédito automóvel: de 189 € para 194 € por mês

Jovens 18–24 anos: um aumento muito acima da média

Por detrás destes números, o estudo evidencia diferenças marcadas por idade, com destaque para o grupo dos 18–24 anos. Neste segmento, as despesas obrigatórias médias terão passado de 1 050 € por mês em 2025 para 1 748 € em 2026 - um salto de quase 700 €.

Na prática, este total representa agora cerca de 65% do rendimento líquido destes jovens, deixando o orçamento particularmente exposto a qualquer subida adicional de preços ou a quebras de rendimento.

Em declarações reproduzidas pelo jornal O Parisiense, o director-geral da plataforma, Cédric Ménager, sublinha que, como o rendimento é mais baixo, “o peso destas despesas, em percentagem, torna-se maior”. Acrescenta ainda que, mesmo num contexto relativamente estável, se verifica “uma forte subida na componente de telecomunicações e seguros”.

Como poupar sem abdicar do essencial

Para contrariar o aumento destas despesas e recuperar margem no orçamento, uma das estratégias mais eficazes passa por comparar propostas e mudar de seguradora - ou, pelo menos, negociar com a actual sinalizando intenção de troca. Em muitos casos, esta pressão competitiva ajuda a obter um melhor equilíbrio entre preço e cobertura.

O estudo aponta também para um problema frequente: 13% das pessoas admitem pagar seguros ou serviços que já não usam (ou que não lhes trazem utilidade), percentagem que sobe para 40% entre os 18–24 anos. Ao rever com detalhe os débitos directos e as subscrições activas, torna-se mais fácil “limpar” o orçamento. Segundo o inquérito, os participantes acumulam 2,6 subscrições inúteis, em média, com um custo total médio de 81 € por mês.

Uma medida complementar é fazer uma auditoria rápida às telecomunicações (telemóvel, internet, televisão): ajustar plafonds, remover extras, rever fidelizações e renegociar pacotes pode reduzir custos sem afectar o dia a dia. O mesmo se aplica a contratos de energia, onde pequenas alterações de hábitos e o controlo de consumos ajudam a mitigar o peso do aquecimento.

Por fim, vale a pena criar uma rotina mensal simples: reservar 20 minutos para confirmar o que é indispensável, o que é optimizável e o que pode ser eliminado. Mesmo quando não há “gorduras” óbvias, esta disciplina evita que pequenas subscrições e aumentos automáticos se transformem numa perda contínua de poder de compra.

Tem sentido esta subida das despesas obrigatórias no seu orçamento? Partilhe a sua experiência nos comentários.

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