Os aforradores estão a abandonar em massa o Livret A e a procurar alternativas com maior rentabilidade.
À primeira vista, o Livret A parece imbatível: é um produto de poupança isento de impostos e permite levantar o dinheiro a qualquer momento, sem bloqueios nem penalizações. O problema é que, com a inflação a abrandar nos últimos meses em França, a remuneração deste livro desceu para 1,7%. Perante este cenário, muitos franceses estão a redireccionar as suas poupanças para soluções mais atractivas.
Seguro de vida (assurance vie) surge como grande vencedor
Esta semana, a Caisse des Dépôts (CDC) confirmou que, em setembro, os aforradores franceses levantaram 2 mil milhões de euros a mais do que aquilo que depositaram. Segundo a BFM, este fenómeno é conhecido como descaptação (ou “descolecta”) e está claramente associado à redução das taxas de juro.
Um recuo desta dimensão já não se via desde 2019, ano em que foi implementada a retenção na fonte do imposto sobre o rendimento em França. E, nesta mudança de comportamento, há um beneficiário que se destaca.
Os fundos euro do seguro de vida (assurance vie) - que apresentam uma taxa média de 2,6% (valor antes de impostos) - estão a captar a atenção dos aforradores. De acordo com a mesma fonte, os franceses acumulam mais de 2 biliões de euros nestes produtos, enquanto o total aplicado em Livret A e em Livret de Développement Durable et Solidaire soma “apenas” 606,8 mil milhões de euros.
Além da taxa anunciada, esta preferência também se explica pela lógica de diversificação: muitos aforradores procuram combinar a liquidez dos livros regulamentados com instrumentos que possam oferecer um retorno superior, mesmo que a fiscalidade e as condições de resgate variem consoante o contrato.
Convém ainda lembrar que, dentro do seguro de vida, nem tudo é igual: os fundos euro tendem a ser escolhidos por quem valoriza maior estabilidade, enquanto outras componentes (quando existem) podem ter oscilações. Na prática, a decisão passa por equilibrar rentabilidade, disponibilidade e nível de risco aceitável.
Livret A e LEP: vem aí nova descida das taxas de juro?
As perspectivas para os livros de poupança não são animadoras. A indicação é que a taxa do Livret A poderá baixar para 1,4% no início do próximo ano - uma nova descida de 0,30 pontos percentuais. Já o LEP também poderá sofrer um corte de 0,30 pontos, passando para 2,40%.
Atenção, contudo: estes valores ainda podem mudar caso existam alterações até lá. Além disso, tratam-se de estimativas, e nada impede o Governo de decidir um “bónus” que reduza significativamente o impacto da descida. No fim, é uma escolha sobretudo política. Para mais detalhes, veja o nosso artigo anterior sobre o tema.
E do seu lado, estes números mais recentes sobre a poupança em França surpreendem? Partilhe a sua opinião nos comentários.
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