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Sexta-feira é quase dia livre: poderá o teletrabalho levar à semana de 4 dias?

Jovem a trabalhar num computador portátil numa mesa de madeira, com caderno aberto e calendário na parede.

Um especialista em organização do trabalho detectou esta tendência ao analisar de perto os dados disponíveis.

Se sente que as tardes de sexta-feira estão mais tranquilas no escritório, é provável que não seja apenas perceção. Num artigo recente publicado no site The Conversation, Christos Makridis, professor associado de investigação em Sistemas de Informação na Universidade do Estado do Arizona, descreve como o ritmo de trabalho no final da semana tem vindo a mudar.

Teletrabalho e modelos híbridos estão a transformar a sexta-feira

De acordo com um estudo publicado em agosto de 2025, Makridis observa que a expansão em larga escala do teletrabalho e a normalização de modelos de organização híbridos - hoje comuns em muitas empresas - alteraram de forma clara a dinâmica semanal.

O investigador destaca números particularmente reveladores dos Estados Unidos: entre profissionais cujas funções são compatíveis com trabalho à distância, 35% a 40% trabalhavam remotamente às quintas e sextas-feiras em 2024, quando em 2019 esse valor era de apenas 15%.

Uma evolução que beneficia todos?

Há outro dado que ele considera inesperado: entre 2019 e 2024, o tempo médio de trabalho à sexta-feira diminuiu cerca de 90 minutos nos empregos que podem ser realizados a partir de casa. Ainda assim, isso não significa que o teletrabalho esteja a reduzir o número total de horas trabalhadas ao longo da semana.

Na prática, parece haver uma redistribuição do esforço: no ano passado, por exemplo, os trabalhadores registavam em média 8 horas e 24 minutos de trabalho à quarta-feira, face a 7 horas e 54 minutos nesse mesmo dia em 2019.

Makridis faz questão de enquadrar esta mudança:

É verdade que a sexta-feira sempre foi um pouco diferente dos restantes dias da semana. Muitos chefes já permitiam roupa mais informal à sexta-feira e a saída mais cedo, muito antes do início da pandemia. Mas a possibilidade de trabalhar à distância amplificou claramente essa tendência.

Flexibilidade, bem-estar e novas rotinas de equipa

Em todo o caso, esta flexibilidade acrescida parece agradar aos colaboradores. E as empresas também podem beneficiar, na medida em que os trabalhadores conseguem equilibrar melhor a vida profissional e a vida pessoal, com maior satisfação e bem-estar a longo prazo.

Além disso, a “sexta-feira mais leve” tende a influenciar a forma como as equipas planeiam o trabalho: é cada vez mais comum concentrar reuniões, decisões e tarefas que exigem maior coordenação entre segunda e quinta-feira, deixando a sexta-feira para fecho de pendências, trabalho individual e planeamento. Quando bem gerida, esta reorganização pode reduzir interrupções e melhorar a qualidade do tempo de foco.

Por outro lado, para evitar desigualdades entre funções (por exemplo, entre equipas que podem ou não fazer teletrabalho), muitas organizações têm vindo a formalizar regras: janelas mínimas de disponibilidade, critérios para marcação de reuniões e objetivos por entregáveis. Sem esse alinhamento, a flexibilidade pode gerar fricção interna e perceções de injustiça.

Semana de trabalho de 4 dias: a tendência vai à frente da lei?

Ainda não se trata de uma mudança oficial generalizada, mas o padrão é claro. Num momento em que muitas vozes defendem a semana de trabalho de 4 dias, parece que alguns trabalhadores não estão à espera de um sinal verde legal do Governo para ajustar a semana e conquistar mais tempo livre - com a sexta-feira a tornar-se, na prática, o principal espaço dessa transição.

Para aprofundar o impacto da semana de 4 dias nas empresas que já a testaram, pode voltar a consultar o nosso artigo anterior (ligação indicada no conteúdo original).

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