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Trabalhadores nesta função costumam negociar salários mais altos mais rapidamente do que a média dos colaboradores.

Dois homens de negócios em fato reunidos num escritório moderno com laptop e gráficos.

Às 8h47, o escritório já está em pleno movimento, mas não da forma que os anúncios de open space prometem. Luz fluorescente, café requentado, notificações no Slack. No meio disto tudo, a Maya fecha o portátil, afasta a cadeira e caminha com calma até uma sala de reuniões com paredes de vidro, onde o manager já está à espera. Está nesta função há apenas 11 meses. E está prestes a pedir um salário normalmente reservado a quem tem entre três e cinco anos de experiência.

Dez minutos depois, sai a sorrir, com um novo número na cabeça.

Entretanto, duas secretárias ao lado, o Sam percorre a caixa de entrada, a pensar que talvez para o ano seja a altura certa para pedir mais.

Há funções que não esperam pela “altura certa”. Forçam-na.

O trabalho em que “pedir mais” faz parte da função

Existe um grupo de profissionais que negoceia aumentos salariais mais depressa do que quase toda a gente: quem trabalha em funções ligadas à receita. Comerciais, account executives, recrutadores de topo, business developers. São pessoas cujo trabalho diário consiste, literalmente, em conseguir que outros digam sim em conversas sobre dinheiro.

Enquanto o resto da empresa evita falar de números, eles vivem entre folhas de cálculo, quotas e relatórios de comissões. O seu desempenho mede-se de uma forma brutalmente clara. Cumpriu o objetivo: entra dinheiro. Falhou o objetivo: tudo abana.

Essa visibilidade muda a forma como entram numa conversa salarial.

Veja-se o caso do Julien, 27 anos, account executive numa empresa SaaS de média dimensão. Entrou como júnior com um salário base modesto, aceitando a fórmula clássica de “base baixa, variável alto”. Os amigos em marketing e produto gostavam de gozar com ele por andar atrás de comissões.

Em nove meses, fechou um cliente estratégico que abriu um novo mercado à empresa. Só esse negócio cobriu várias vezes o seu salário anual. Quando chegou a altura da avaliação, não apareceu com frases vagas sobre “ter assumido mais responsabilidades”. Levou um slide simples: receita fechada, posição no ranking da equipa, impacto na retenção.

Saiu da reunião com um aumento de 20% e um escalão de comissão mais elevado. O amigo do marketing, que também trabalhou imenso o ano inteiro, recebeu 3%.

Esta diferença não é apenas sorte ou personalidade. É estrutural. Quem está numa função diretamente ligada a receita mensurável parte com vantagem desde o primeiro dia. Pode apontar para números claros, difíceis de contestar. Trabalha numa cultura em que o dinheiro já está em cima da mesa, por isso pedir mais parece menos tabu.

Além disso, os managers destas funções já contam com negociação. Faz parte do perfil. Um comercial que nunca negoceia o próprio salário passa um sinal estranho. Um recrutador que gere propostas todos os dias mas “se esquece” de falar da própria compensação parece menos credível.

Por isso, enquanto muitos colaboradores esperam que o HR “reconheça o seu esforço”, as funções de receita invertem o jogo mais depressa.

O manual salarial que quem trabalha em receita usa sem lhe chamar isso

Há um método concreto por trás desses aumentos mais rápidos, mesmo que a maioria destas pessoas diga apenas: “Eu só pedi.” Antes de falar de salário, reúnem provas em silêncio. Capturas de ecrã de negócios fechados, folhas de cálculo com objetivos versus resultados, emails de feedback de clientes, renovações que conseguiram salvar à última hora.

Depois, colocam um preço nisso. “Este negócio trouxe 180.000 dólares este ano.” “Este cliente renovou por três anos.” Não se apoiam em “sinto que ganho pouco”. Dizem: “Aqui está o que trouxe para a empresa, e aqui está como o meu salário se compara com funções semelhantes no mercado.”

Um hábito simples: tratam a conversa salarial como se fosse uma reunião com um cliente importante.

Muitos outros profissionais fazem o contrário. Esperam. Têm esperança. Aceitam a ideia de que “se eu trabalhar bem, vão reparar”. Todos conhecemos esse momento de atualizar o email com a carta da avaliação anual, a torcer para que o número venha um pouco acima do pequeno aumento do ano anterior.

Também existe um receio silencioso de parecer ganancioso ou ingrato. Por isso, muita gente suaviza o pedido, enterra-o no fim de um 1:1 ou envia um email nervoso cheio de desculpas.

Sejamos honestos: quase ninguém constrói uma folha de cálculo anual com as suas vitórias, a não ser que o trabalho obrigue a falar de performance todas as semanas.

“Da primeira vez que negociei o meu salário, senti que ia vomitar”, admite a Lina, recrutadora na área tecnológica. “Depois percebi que negocio propostas para candidatos todos os dias. Porque não faria o mesmo por mim?”

Quem está nestas funções conhece algumas alavancas práticas que mudam o resultado de uma conversa sobre aumento:

  • Enquadram o pedido com base no impacto no negócio, não em necessidades pessoais.
  • Avançam com números concretos, não com “o que acharem justo”.
  • Escolhem o momento certo, logo após uma vitória clara e recente.
  • Levam referências externas de anúncios de emprego e relatórios salariais.
  • Mantêm-se preparados para sair, pelo menos mentalmente, se a diferença for demasiado grande.

Como adotar esta mentalidade, mesmo sem trabalhar em vendas

Não precisa de ter “sales” no título para usar esta abordagem. Comece por fazer o que estas pessoas fazem de forma natural: acompanhar resultados, não apenas tarefas. Se trabalha em marketing, registe que campanhas geraram leads. Se está em operações, acompanhe quanto tempo ou custo a sua otimização poupou. Se trabalha em suporte, meça satisfação, tempo de resolução, tickets repetidos.

Depois transforme isso numa narrativa. “Foi isto que o meu trabalho mudou na empresa.” Um slide, uma página, um email simples. Sem jargão. Sem encher.

Parece estranho da primeira vez, e surpreendentemente poderoso da segunda.

Um erro comum é esperar pelo ciclo “formal” de avaliação para ter a primeira conversa sobre dinheiro. Quem está em funções de receita raramente faz isso. Vai lançando a ideia meses antes. Diz coisas como: “Se eu atingir X até ao final do trimestre, gostava de voltar a falar da minha compensação.”

Outra armadilha é pedir desculpa por querer mais. Pode ser simpático, leal, até tímido, e ainda assim dizer: “A minha contribuição cresceu. Gostava que o meu salário refletisse isso.”

O objetivo não é copiar uma persona agressiva de vendedor. O objetivo é deixar de entrar na reunião financeiramente mais importante do ano sem qualquer preparação.

“No dia em que tratei o meu salário como uma negociação, e não como um favor, tudo mudou”, diz o Marco, customer success manager. “O valor não duplicou por magia. Mas finalmente começou a mexer-se.”

Aqui está uma checklist simples, quase “de caixa”, que pode roubar a estas funções que negoceiam mais depressa:

  • Escreva três vitórias concretas dos últimos 6 a 12 meses.
  • Associe números a cada uma: tempo, dinheiro, clientes, crescimento, qualidade.
  • Veja 5 a 10 anúncios de emprego para funções semelhantes na sua região ou setor.
  • Defina um salário-alvo específico ou um intervalo antes da reunião.
  • Treine uma frase clara: “Com base nos meus resultados e no mercado, estou a pedir…”

A mudança silenciosa quando deixa de esperar para ser “descoberto”

Acontece algo subtil quando começa a pensar como quem já trabalha em funções muito marcadas pela negociação. Deixa de tratar o salário como uma decisão secreta tomada numa sala fechada. Passa a vê-lo como uma conversa que tem todo o direito de influenciar.

Nem toda a gente pode passar de um dia para o outro para uma função com comissões elevadas, e nem toda a gente quer isso. Ainda assim, pode apropriar-se das ferramentas: provas em vez de esperança, timing em vez de espera, números em vez de sentimentos vagos. E também pode adotar a calma deles. A forma como entram naquela sala de vidro sabendo que trazem valor que pode ser contado, e não apenas apreciado.

Haverá sempre pessoas a ser pagas mais depressa porque os seus resultados são mais fáceis de medir. O resto de nós pode encurtar essa distância em silêncio, uma vitória documentada, uma conversa preparada, uma frase corajosa de cada vez.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
As funções ligadas à receita negoceiam mais depressa Vendas, recrutamento e business development vivem numa cultura de números e conversas sobre dinheiro Ajuda a perceber porque evoluem mais depressa e o que pode copiar dessa lógica
Resultados vencem esforço vago Acompanhar vitórias concretas e o seu impacto financeiro reforça a sua posição Dá-lhe uma forma prática de se preparar para conversas salariais
Falar de salário é uma competência, não um dom A forma como enquadra, escolhe o momento e pratica o pedido altera o resultado Incentiva-o a agir em vez de esperar por reconhecimento

FAQ:

  • Que funções costumam negociar salários mais altos mais cedo? Comerciais, account executives, recrutadores, business developers, customer success managers que gerem renovações e alguns consultores com objetivos de receita tendem a negociar aumentos mais cedo e com maior frequência.
  • Preciso de ser extrovertido para negociar o meu salário? Não. Muitas pessoas mais reservadas negoceiam bem porque preparam factos e guiões com antecedência. Negociar tem mais a ver com estrutura do que com volume.
  • E se o meu trabalho não estiver claramente ligado à receita? Traduza o seu trabalho em impacto: horas poupadas, menos erros, clientes mais satisfeitos, lançamentos mais suaves. Depois ligue isso, da forma mais concreta possível, a dinheiro ou risco evitado.
  • Qual é a melhor altura para pedir um aumento? Logo após uma vitória visível, antes de os orçamentos anuais ficarem totalmente fechados. Convém mencionar a intenção um pouco antes, para não soar a exigência inesperada.
  • E se a minha empresa realmente não puder aumentar o meu salário? Ainda pode negociar benefícios não monetários: orçamento para formação, dias remotos, mais férias, mudança de título. E se a diferença for constante, comece discretamente a testar o seu valor no mercado externo.

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