Muitos escolhem-no pela comodidade, quase ninguém pensa nos riscos: uma química alerta para uma versão popular de arroz vendida no supermercado.
O arroz em saquetas de cozedura é visto como prático, rápido e infalível. Mete-se a saqueta no tacho, junta-se água e está feito. Agora, uma química polaca com grande alcance nas redes sociais está a pôr seriamente em causa este hábito de cozinha - e os seus argumentos dizem também respeito a quem vive na Alemanha. O tema envolve microplásticos, químicos escondidos e a dúvida sobre até que ponto o nosso corpo aguenta tanto plástico.
Porque é que o arroz em saqueta é mais do que apenas “prático”
Muitas casas têm várias embalagens de arroz em saqueta guardadas no armário. A justificação costuma ser sempre parecida: resulta sempre, não pega ao fundo, não é preciso balança. A química Sylwia Panek olha para este hábito com olhos de especialista - e identifica um problema que não se prova, não se cheira e não se vê.
Quem coze arroz dentro de um saco de plástico não aquece apenas água e cereal - aquece também plástico em contacto direto com o alimento.
Na sua perspetiva, quem compra porções individuais paga sobretudo a embalagem, e não uma melhor qualidade do arroz. O preço por quilo é muitas vezes claramente superior ao do arroz solto em embalagens maiores. Ao mesmo tempo, cada saqueta gera mais lixo. Economicamente discutível, ecologicamente problemático - e, do ponto de vista da saúde, possivelmente arriscado.
Como surgem microplásticos durante a cozedura
O centro do alerta é este: as temperaturas elevadas facilitam a libertação de partículas minúsculas do plástico. Trata-se dos chamados microplásticos - partículas tão pequenas que não são visíveis a olho nu.
Ao cozer em água a ferver, a temperatura ronda os 100 graus. É precisamente nesse momento que pequenos fragmentos do material da saqueta podem passar para a água. Como o arroz absorve líquido durante a cozedura, poderá também reter parte dessas partículas.
Estudos laboratoriais sobre plástico e calor mostram repetidamente o mesmo: quanto maior a temperatura e quanto mais prolongado o contacto, mais componentes do plástico podem libertar-se. Esta observação aplica-se, por exemplo, a:
- embalagens de plástico colocadas em água quente (saquetas de cozedura, sacos de sopa)
- recipientes de plástico levados ao micro-ondas
- loiça de plástico lavada regularmente com água muito quente
- copos descartáveis onde se deita café a escaldar
Cada porção isolada pode não parecer dramática. Mas a química sublinha: quem usa estes produtos várias vezes por semana durante anos está a criar uma fonte extra de microplásticos na alimentação - e sem necessidade.
A soma silenciosa de muitas fontes de plástico no dia a dia
O arroz em saqueta é apenas uma peça do problema. Muitas cozinhas e escritórios estão cheios de plástico que entra em contacto com o calor. Exemplos comuns:
- chaleiras elétricas com reservatório em plástico
- refeições aquecidas diretamente no micro-ondas dentro da embalagem plástica
- café para levar em copos descartáveis com revestimento plástico
- pratos preparados aquecidos ainda dentro da película
- menus de dieta e catering servidos em tabuleiros descartáveis
Cada uma destas situações, por si só, parece inofensiva. Mas no dia a dia acumulam-se rapidamente. E quem ainda consome com frequência arroz em saqueta aumenta a dose total de plásticos e químicos em contacto com os alimentos.
Químicos escondidos em películas e saquetas
Na produção de muitas embalagens plásticas são usados aditivos. Dois grupos são particularmente criticados: o bisfenol A (BPA) e vários ftalatos. Estes compostos podem servir, por exemplo, para dar flexibilidade ou estabilidade ao material.
O BPA e os ftalatos podem libertar-se do plástico com o calor e passar para os alimentos - sobretudo quando as películas ficam diretamente em água a ferver.
Estas substâncias atuam no organismo de forma semelhante às hormonas. Os especialistas chamam-lhes substâncias com atividade endócrina. Quando são ingeridas durante muito tempo em quantidades relevantes, a investigação atual sugere que podem:
- desregular o equilíbrio hormonal
- afetar a fertilidade
- aumentar o risco de certas alterações metabólicas
- influenciar processos de desenvolvimento em pessoas mais sensíveis
É precisamente por isso que organizações ambientais e de saúde alertam há anos para evitar contacto desnecessário entre alimentos e plástico quente. O arroz em saqueta encaixa exatamente nesse padrão: calor prolongado, contacto direto e alimento a absorver água e possíveis substâncias.
Arroz solto: mais barato, com mais nutrientes e menos contacto com plástico
Há ainda outro argumento contra as saquetas individuais: o valor nutricional. O arroz solto em embalagens maiores costuma ser menos pré-cozido ou menos processado. Isso ajuda a preservar mais componentes naturais, como vitaminas do complexo B e minerais.
Além disso, a quantidade pode ser ajustada com mais precisão. Quem pesa ou mede com uma chávena aprende depressa quanto arroz precisa para a sua casa. Isso reduz o desperdício alimentar e permite poupar dinheiro.
| Aspeto | Arroz em saqueta | Arroz solto |
|---|---|---|
| Preço por quilo | geralmente mais alto | geralmente mais baixo |
| Contacto com plástico | direto durante a cozedura | apenas na embalagem de armazenamento |
| Teor nutricional | frequentemente mais processado | muitas vezes mais natural |
| Produção de lixo | várias saquetas pequenas | uma embalagem maior |
Como cozinhar arroz da forma clássica - sem saqueta
Quem até agora escolhia saquetas por receio de o arroz ficar empapado pode mudar de método sem precisar de ser especialista em cozinha. Uma base simples para obter arroz solto:
- Colocar o arroz num passador e lavá-lo com água fria até a água sair mais clara.
- Deitá-lo num tacho e juntar, consoante a variedade, cerca do dobro da quantidade de água (no caso do basmati, muitas vezes 1 parte de arroz para 1,5 partes de água).
- Acrescentar um pouco de sal, deixar levantar fervura e depois reduzir para lume brando.
- Cozinhar com tampa em lume suave até a água ser absorvida.
- Desligar o fogão, deixar o arroz repousar cinco minutos com a tampa fechada e, no fim, soltá-lo com um garfo.
Quem se sentir inseguro pode usar copos medidores ou chávenas. Ao fim de algumas tentativas, a proporção entre água e arroz torna-se natural. Muitas pessoas notam então rapidamente que o sabor parece mais intenso do que no arroz em saqueta.
Qual é realmente a dimensão do risco?
Uma porção de arroz em saqueta não deixa ninguém doente de um dia para o outro. A preocupação da química centra-se no efeito a longo prazo de pequenas doses constantes. Microplásticos e químicos com ação hormonal aparecem em muitos contextos: na água da torneira, no peixe do mar, em garrafas de bebidas, em embalagens e em têxteis.
A investigação ainda está numa fase inicial em muitas questões. O que já se sabe é que microplásticos podem ser detetados em amostras de sangue, em placentas e até em tecidos de órgãos. Isto significa que as partículas encontram formas de circular pelo corpo, sendo eliminadas apenas de forma limitada.
É difícil medir diretamente o impacto de uma única fonte no quotidiano, sobretudo porque existem várias em simultâneo. Precisamente por isso, os especialistas aconselham a reduzir a exposição onde isso é possível sem grandes mudanças - e deixar de usar saquetas de cozedura é uma dessas medidas simples.
Passos práticos para reduzir o plástico na cozinha
Quem leva este alerta a sério não precisa de transformar a vida por completo. Algumas alterações concretas já podem diminuir de forma visível a exposição:
- comprar arroz, milho-miúdo, trigo-sarraceno e outros grãos sem saquetas de cozedura
- aquecer alimentos em recipientes de vidro ou inox em vez de caixas de plástico
- usar chaleiras de inox ou, pelo menos, verificar se os modelos de plástico têm fissuras ou sinais de desgaste
- preferir beber bebidas quentes em chávena ou copo térmico de metal/vidro
- transferir refeições prontas da embalagem plástica para um recipiente resistente ao calor antes de aquecer
Quem começa por um único ponto costuma reparar que, com o tempo, passa também a identificar outras fontes. Muitas pessoas dizem sentir-se melhor quando cozinham e comem com menos plástico aquecido.
O que significam termos como “microplásticos” e “BPA”
Microplásticos são partículas de plástico com menos de cinco milímetros, muitas vezes muito menores do que isso. Formam-se com a degradação de peças plásticas maiores ou são adicionados intencionalmente a certos produtos, como acontecia antes em esfoliantes e cosméticos. Nos alimentos aparecem geralmente de forma indesejada - como desgaste, resíduo de embalagem ou através de água contaminada.
O bisfenol A foi durante muito tempo amplamente usado em vários plásticos, sobretudo em policarbonatos e revestimentos. Algumas utilizações já foram restringidas na União Europeia, mas a substância não desapareceu por completo. Os ftalatos, por sua vez, são usados como plastificantes para tornar os materiais mais flexíveis. Ambos os grupos são suspeitos de interferir com o sistema hormonal.
Especialistas consideram que crianças e grávidas podem enfrentar riscos acrescidos, porque o organismo ainda está em desenvolvimento. Quem cozinha para a família pode reduzir parte desta exposição com decisões simples - por exemplo, na forma como prepara o arroz.
No fundo, o aviso da química resume-se a uma mensagem clara: a comodidade de uma saqueta de plástico não compensa quando o arroz fica igualmente bem feito no tacho - mais barato, com melhor sensação de segurança e sem plástico aquecido diretamente em contacto com a comida.
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